A eutanásia do apego
A quem me ama o amor
meu talento.
Mas, se em meu amar
não há valor, lamento.
Na dor de amar com essa dor
que não aguento,
peço a este drama um só favor,
esquecimento.
A quem me cura com paixão
de prima-dona,
deixo o sabor de um amor
que abandona.
Na dor de amar com este fel
que me aprisiona,
busco pelo ar que fica além
da minha persona.
A quem me lança um torpor
de frio espesso,
lanço um coração de isopor
que é meu berço.
Na dor de amar, sem mais fervor,
tudo ao avesso,
rogo a um deus qualquer
a permissão
(expressão,
poesia,
elegia)
de um recomeço.