À nossa Deméter

white nude woman sculpture
white nude woman sculpture

Um ser de bondade olímpica,
bonita de doer os olhos,
convida-me à festa do corpo.
Uma diva de inteligência morena!
Uma sereia com coxas grossas!
Uma santa com milagres nas ancas!

A escultura da fêmea sorriu,
no ciclo do maduro desejo,
cansou-se do pedestal,
mexeu a cintura para um lado,
virou para o outro sem pressa,
gostou da malemolência
e veio para Porto dos Casais
vestida de liberdade afetiva
sem feiuras de gente pudica.

A mulher da colheita abundante,
apontou-me o dedo na multidão,
quer amor com autonomia,
escutas com nutrição
e amizade com estripulias.
Como recusar o convite?