A reinvenção do futebol pelo perna-de-pau
Se eu reinventasse o futebol,
só haveria jogada enfeitada:
gol de placa,
toque de letra,
drible da vaca...
Se eu reinventasse o futebol,
a brincadeira reinaria de novo.
Gol feio seria anulado,
até o nome ele perderia:
objetivo para quê?
Se eu reinventasse o futebol,
desligaria sorrindo o placar.
A torcida entraria em campo,
o rebaixado desfilaria bonito
como fazem as escolas de samba.
Se eu reinventasse o futebol,
jogaria sozinho na várzea
peneirando uma bola de meia.
Não nasci para o esporte,
meu tempo é o do futebol arte.
Se eu reiventasse o futebol,
cruzaria palavras com a mão.
O centroavante seria poeta,
talvez a rádio o chamasse ao vivo
com um punhado de frases de efeito.
Se eu reinventasse a poesia da bola,
o futebol nasceria numa tarde latina
espumando num chope gelado
com malte de Brasil encorpado
e notas de Argentina picante.