Canídeos fascistas
Uma cadela,
que não sai do cio,
fala a língua dos votos em branco.
Uma cadela,
que sempre pariu,
alimenta filhotes que marcham com pedigree.
Todos...
todos disputam obediências...
ao apito fóssil do verbo.
Todos...
unidos
ladram para o estrangeiro,
o preguiçoso,
o corrupto.
Todos...
os olhos vidrados no azul...
esperam (de esperança) o Nazareno,
sem o perdão do Deus pai
nem a comunhão da vermelha Maria.
Todos saem à rua pela pureza,
em treze de março de dezesseis,
vestindo as cores da pátria...
e a verde-amarela,
roubada,
rouba a poesia do dia...