Crítica Imanente

white clouds over snow covered mountain
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Fazer poema é brincadeira difícil,
é um artesanato de versos polidos
e uma alquimia que rouba a rima.
No fim, a estrofe desvela a pepita.

Fazer poema não é lucrativo,
é criar imagens a perder de vista
e lançar fonemas a fundo perdido.
No fim, a estrofe realiza o capital.

Fazer poema é peregrinar de joelhos,
é manchar de sangue as escadas da fé
e rezar que a sorte encaixe as palavras.
No fim, a estrofe coagula a beleza.

Fazer poema é até claustrofóbico,
é ser conduzido pelo embalo da rima
e sentir-se contido na forma da rima.
No fim, a estrofe põe a rima no bolso.

Fazer poema é um prazer masoquista,
é bom de ler, mas dói escrever
e a endorfina sucede o exercício.
No fim, a estrofe apaga o rascunho.

Fazer poema é contraditório,
é enxergar em Hegel um artista
que leu a antipoesia de Parra,
assim é que o trigo se torna o pão.