Mariana arteira

a wall full of antique clocks
a wall full of antique clocks

Se a commedia dell’arte,
de repente,
inventasse a ser gente,
o mundo teria mais uma você.
As máscaras
da alegria latino-americana
dançariam maracatu ou candombe
como Colombinas da quente estação.
Pierrô (e suas lágrimas)
e Arlequim (o gaiato)
seríamos nós (os da praia) em desvelada paixão.

Se as atelanas,
num átimo,
virassem a cena do quinto Evangelho,
o ser transcendente teria o seu nome.
Sua voz ecoaria
na abóbada das catedrais,
como cântico dos cânticos,
como o som de espelhos castanhos,
como a mirada que a tudo chega,
como isso e aquilo e tudo mais.

Se os ditirambos,
sem perda de tempo,
viajassem nas vielas do tempo,
o presente viria numa caixa de música.
Bailando,
você giraria no meio do palco
com mil foliões nos bastidores
rendidos ao risco...
da sorte boêmia...
da arte mambembe...
de um amor saltimbanco.