O dia em que Deus pediu perdão
Deus não costuma falhar.
Contradição.
Isso seria uma falha?
A perfeição é prima-irmã do orgulho,
inimiga, talvez, da humanidade.
Deus ama o homem,
ama o filho
e a própria grandiosidade?
Seja lá como for,
Deus,
que está além de qualquer dúvida,
precisou falhar um pouco.
Talvez dar à luz uma pequena mentira,
uma chispa minúscula de erro,
não alardearia chamas vultosas...
Deus confessaria ao filho um remorso,
pediria perdão -
seria bom para cuidar da relação.
Nos momentos de maior crise,
era sempre o homem quem falhava,
depois se ajoelhava ante o Criador.
Agora,
o Divino inovaria,
sairia da Sua Cidade para ter com o filho amado.
Porém...
qual seria o erro divino?
Criar o homem com tantos defeitos?
Testar a fé de Jó, o insuspeito fiel?
Abandonar seu Predileto na cruz?
Ainda um tanto indeciso,
Deus chegou à Cidade dos Homens
e pôs-se a procurar o filho.
Qualquer motivo,
qualquer arremedo lágrimas já serviria -
o caso seria demonstrar humildade.
Procurou,
caminhou,
vasculhou. . .
e encontrou a mudez afirmativa de uma mulher.
Gemeu baixo,
caiu de joelhos,
chorou copiosamente na frente da filha!