O fim da história
Eu passo pano para o réu,
sempre.
Eu relativizo as culpas,
não raro.
O bode que expia me compadece,
presumo inocentes o lobo e a lebre.
Na corte suprema,
há um cordeiro
a dar-me a paz e o processo legal.
Penso na jornada de um militante,
herói da minha adolescência,
que suava sangue na antiguidade,
um comunista sem ampla defesa
devorado na cruz pelo Estado total.
Leviatã é o antagonista,
seu idioma de afetos é a vingança.
Uma máquina de crime e castigo
das nossas violências piramidais
a coagular a ferida das maiorias
que usam a dor em apelos de amor.
A fábula é um esboço mental:
creio na redenção de Leviatã!
Sofreria uma grata indigestão
misturado ao corpo do herói
a ressuscitar no terceiro dia
como o precursor de um tempo
em que a reflexão é livre
na rede da cooperação criativa.
Nascido de uma primavera interrompida,
o Verão dos Povos raiaria no mundo
na praia ensolarada do garantismo
onde todas as penas se afundam no mar.