O fim da infância
ciclo do individualismo clandestino
1. As naves de Arthur C. Clarke:
Bochechas da paisagem,
o sol sonolento as ruboriza agora.
Nuvens são algodões.
2. Senhores da paz suprema:
A guerra fria que habita
a periferia das minhas cidades
é propriedade vazia.
3. O fim já nasceu:
O eu que evapora
assusta o eu de Platão e Abraão,
mas o não-eu sorri.
4. As cores primárias:
Zazen suaviza
as arestas da minha infância.
Esqueci a pipa e o ioiô.
5. Tonalidades maduras:
O curso silente
das lendas que falam de mim
chega à última hora.
6. A última coreografia:
É belo o sorriso
dos pós-indivíduos em grupo
que apenas dançam.