O salto mortal da mercadoria
Rios de dinheiro cercam a cidade árida,
criam o milagre da fome longe da tribo.
A comida que salta do pé vira cifrão,
a moeda que corre faceira na correnteza
rega somente a propriedade privada.
Se vivêssemos ainda antes da história,
os problemas existiriam sem desespero,
a água escorreria sem assédio nos rios,
o antropoceno seria apenas sonho ruim,
a liberdade habitaria a humanidade.
O aborígene não aliena seu alimento,
guarda-o na natureza ou na barriga
ao invés de estocá-lo em prateleiras
pela falta de empatia na conta bancária,
enquanto a fome prospera na rua fria.
O governo dos preços é uma máquina
autônoma, automática, autoritária,
aleatória como erva daninha,
efetiva como os impérios coloniais
vivendo de morte sem conhecer a vida.