Pergunta ao tempo
este poema é uma letra em diálogo com Aldir Blanc
Coisa que vem, coisa que vai,
forma que passa, poeira que sai...
Tempo, em português, tem pouca rima:
é contratempo, passatempo, coisa assim...
Assovia no vento sem perder o clima,
brinca, gaiato, se o verso chega ao fim.
Tempo, tempo é parecido com o vento...
O Aldir ressonou os dois com talento!
E o tempo é mesmo um vento do agora,
leva com tudo a nossa vida embora...
Coisa que vem, coisa que vai,
Forma que passa, poeira que sai...
Vida! A vida devia rimar com o tempo,
melhor ainda se eles fossem coisa igual.
Você pensa que no bolso falta tempo?
Aposta alto sua vida na crise cambial?
Se eu pudesse, perguntaria ao tempo:
"Quando será o meu último contratempo?
" Acho que eu pegaria o danado sem aviso,
pois o tempo faz a vida de improviso.