TOC
Um cão aleatório rosnava
na varanda do meu transtorno.
O dia pensava ser noite
como um farol sem direção.
Um cão caleidoscópio mordia
as luzes perdidas do dia,
as ruminações fortuitas,
vazias de direção.
Um cão-guia tomava sonífero
na varanda da obsessão.
O dia acabava sem fome
como formigas em exaustão.
O que eu podia fazer,
se o dia corria no escuro
e a noite temia o perdão?
Chamei o cão,
chamei o caleidoscópio,
chamei a compulsão,
chamei as nuvens da redenção,
o céu redondo pesou-se de calma,
e a cidade em perdão foi dormir
na estrada da solidão.