Uma manhã fria e brasileira
Hoje,
o domingo preguiçou todo o dia.
Em cima da cama,
amornava-se uma leitura de ontem.
Nas entrelinhas,
dizia:
"Camaradas evoluem sim...
só de malandragem!"
Segui a leitura.
Um paragrafo abaixo,
pensei:
"Na China,
essa mãe acrobática,
o vermelho planeja o mercado."
Uma epifania incendiou o momento:
era hora de flexibilidades criativas.
Optei por recriar o marxismo,
amassei-o com farinhas de trigo e arroz.
As massas do mundo se uniram,
o partido encontrou contrapesos,
as maiorias ganharam freios,
Lenin rogou-se a Bobbio.
No oriente,
Confúcio virou inteligência generativa;
aqui no Oeste,
Leonardo Pataca enfrentou a casa grande.
Na antetarde,
fui morar nos atalhos da vida.
Agora,
sigo as coisas que ficam fáceis de repente:
a criatividade é o pulo de um gato malandro.
Uma eficiência energética!