Uma tarde de luxo
O fantoche que carrega meu nome
habita as mãos da garota apolínea
que faz da luxúria sua alta costura
e do corpo em pêlo o estado da arte.
Holly acalenta o bonequinho de luxo
atrás das cortinas que acolhem o palco.
Sua boca inicia um teatro das sombras
mordendo de leve minha pele vermelha.
Invade a vida dupla da jovem Severine
uma torrente de surrealismo voraz.
Somos marionetes do mesmo enlevo
que se atualiza a cada fim de tarde.
Se a metrópole toda fosse a cidade-luz
com amores pulsando ao longo da tarde,
seria a bela a mulher mais livre que há?
Se tudo fosse uma cena na grande maçã
com jóias sorrindo em vitrines de luxo,
teriam as manequins tamanho encanto?
A vida clandestina da musa e seu títere
termina antes da madrugada profunda.
Ela retorna à alegria de onde nasceu,
ele é placidez em ressaca de carnaval...