Vale da Alma Doce S/A

blue and white diamond pattern
blue and white diamond pattern

Fundei uma companhia no osso do peito
que perfura jazidas no lado esquerdo.
Uma sociedade anônima
onde cada recurso renova a mina.
Grito sem forma,
lágrima morna,
riso marmorizado,
um monte de material sem sabor,
tudo que o subsolo desnomeou.

Essa mineradora da voz visceral
é misteriosa por natureza:
próximos dos magmas doces,
pequenos desastres ambientais,
alguns com carga radioativa,
hibernam agindo.
A gente prospecta essas cores,
para desintoxicar o plexo solar,
sem nenhuma consciência
do que é dor ou é dormência!

Como a radiação pode quebrar
minha mineradora de fundo de quintal,
descolei uma nova tecnologia:
uso uma máquina de poemar!
Ela descristaliza o ato de gozar
e batiza as pepitas ao sussurrar:
“música com gosto de fel”...
"aroma de lisa textura"...
"azedo à meia luz”...

Quer saber mais um segredo?
Uma artística mazela. . .
não inventei nada,
a tecnologia vem dos tempos de Homero. . .
antiga. . .
pirata. . .
e ingrata!
Cria belezas pouco acessíveis,
dá trabalho,
não dá lucro. . .
por isso,
poucos querem saber dela.