Vingança viral
A violência de um vírus fluiu
pela fresta de dois mil e vinte.
Vigia um vácuo virulento,
quando o aval da ciência perdeu seu valor.
Afogava-se o povo em fluídos viscerais,
setecentas mil vítimas de um bufão
que governava pela via da necropolítica.
Versões inverídicas de cura
vicejavam com verniz verossímil.
Em voga,
não havia vacina...
A vida,
como numa revista em quadrinhos,
roteirizava os futuros livros de história:
na virada dos anos vinte,
dois vírus univitelinos
(um da alma e um do corpo)
devoraram o jovem e velho Brasil.